Os novos utilizadores do TikTok, e em particular as crianças, estão a ser expostos a uma quantidade significativa de conteúdo criado por inteligência artificial. A conclusão é de um estudo da plataforma de edição de vídeo Kapwing, que revela que 59% dos vídeos apresentados na página "Para Ti" de contas recém-criadas são conteúdo gerado por IA, um fenómeno que os investigadores classificam como "AI slop".
Os novos utilizadores do TikTok, e em particular as crianças, estão a ser expostos a uma quantidade significativa de conteúdo criado por inteligência artificial. A conclusão é de um estudo da plataforma de edição de vídeo Kapwing, que revela que 59% dos vídeos apresentados na página “Para Ti” de contas recém-criadas são conteúdo gerado por IA, um fenómeno que os investigadores classificam como “AI slop” ou seja, conteúdos produzidos em massa, de baixa qualidade e com reduzido valor informativo.
A investigação analisou 10.742 vídeos distribuídos por 20 categorias do TikTok e avaliou ainda os primeiros 500 vídeos apresentados a uma nova conta. O resultado mostra que, antes mesmo de o algoritmo conhecer os interesses de um utilizador, a plataforma tende a privilegiar conteúdos sintéticos produzidos com recurso à inteligência artificial.
O estudo identifica a categoria infantil como uma das mais afetadas, sendo que cerca de 57,4% dos vídeos classificados como conteúdo para crianças foram produzidos com IA, enquanto a hashtag #cartoonkids apresenta um valor ainda mais expressivo: 97% dos vídeos analisados são gerados artificialmente.
Além do segmento infantil, categorias como Ciência e Educação, Saúde e História também registam uma elevada presença de conteúdos criados por inteligência artificial, contrastando com áreas como Moda, Música ou Fitness, onde predominam criadores humanos.
Os autores utilizam o termo “AI slop” para descrever vídeos gerados automaticamente através de ferramentas de inteligência artificial, normalmente caracterizados por imagens artificiais, narrações sintéticas, argumentos repetitivos e pouca qualidade narrativa.
Segundo a Kapwing, a facilidade de produção deste tipo de conteúdos, aliada à capacidade de publicação em massa, está a alterar rapidamente o ecossistema das plataformas sociais, tornando mais difícil distinguir conteúdos autênticos de produções automatizadas.
A investigação levanta também questões sobre o funcionamento dos algoritmos de recomendação. Ao privilegiarem conteúdos capazes de gerar visualizações e interação, as plataformas podem estar a amplificar vídeos produzidos por IA, especialmente junto de utilizadores sobre os quais ainda não existem dados suficientes para personalizar as recomendações.
O TikTok tem vindo a implementar mecanismos para identificar conteúdos gerados por inteligência artificial e disponibilizou opções que permitem aos utilizadores reduzir a quantidade deste tipo de vídeos no feed. A plataforma também tem promovido iniciativas de literacia em IA para ajudar os utilizadores a reconhecer conteúdos sintéticos. Ainda assim, os resultados do estudo sugerem que essas medidas ainda não conseguiram travar a crescente presença de vídeos gerados por inteligência artificial na experiência inicial da plataforma.



